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carlosteixeiraluis@hotmail.com

Bem hajam.

Quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Último texto…

Boa tarde a todos.

Termino este blogue hoje e agora. Por uma questão de ligações e de contas do blogger, principalmente.
A partir de agora estou no blogue com o meu nome. É impossível alimentar dois blogues, um para poemas e outro para prosas. Não tenho esta divisão dentro de mim. Limito-me a escrever. Como gosto dos conceitos criados antes, chamarei aos meus poemas: tijolos de verde rude (termo poético dedicado ao bairro onde cresci e vivi cerca de 30 anos, os Olivais, em Lisboa, também título do 1º livro e deste blogue que agora termina) e às pequenas prosas: histórias do deserto (como constam em cadernos e folhas soltas, já lá vão anos que escrevo designando-as assim). Alguns destes textos, os que gosto mais ou que assumiram significados singulares alheios à minha vontade inicial, vou publicá-los pontualmente no novo blogue.
Não me apetece mais publicar textos que considero maus ou breves apontamentos de um futuro poema ou conto. Preciso de silêncio, tempo e por isso postarei menos e penso que melhor. As imagens e transcrições publicadas, só com conhecimento ou desejo do autor que não eu mesmo.
Penso publicar aqui um possível e futuro livro, por partes e apreciar a opinião dos que me lêem, seja ela qual for. Logo se vê o que sucederá com esta ideia.
Entretanto, prepararei uma breve biografia para que saibam quem é este escrevinhador.
Continuo o mesmo, apenas apresento uma forma de exposição mais organizada, penso… assumo a minha pessoa tal e qual como tenho consciência e não uma espécie de personagem. Crio personagens quando escrevo, mas não vivo dentro de nenhuma delas. Perdoem-me mas detesto avatares, nicknames, etc… se bem que heterónimos são outra história, nem que seja por respeito por Pessoa e pela sua obra. Antiquado ou pouco original? Seja o que for… há valores e princípios que são universais e intemporais. Seja a Verdade, a Liberdade, a Espiritualidade, o Homem, o Amor, a Consciência, seja Deus, a Mulher ou a Criança, a Família…
Agradeço-vos o apoio, leituras e comentários de cortesia.

Novo blogue:

http://carlosteixeiraluis.blogspot.com/

15 Junho 2010

FIM

Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

as cidades dormem

eu no fundo
agora quero dormir
apenas dormir
só quero dormir
no fundo

a cidade que fará
na minha ausência
a cidade é mulher
são mulheres
que sussurram

as madrugadas
os
crepúsculos
alguns frios e sempre
em silêncio
o sol nasce

como ele sabe e quer
com os pardais
e eu durmo
até abrir os meus olhos
azuis como o céu

da cidade que já
não dorme
esta onde vivo
aonde os erros
não se apagam

Junho 10

Sábado, estarei aqui. Estão convidados.

O rio da noite

às sete pancadas da noite
o poeta saiu
vestido de nevoeiro
respirado pela cidade velha

passos de sombras
levam as passadas da memória
nas ruas que desmaiadas
prestam vassalagem à lua e à sarjeta

de noite vestido
o poeta saiu
passo entre passo
o rio atravessou
o rio mergulhado em negro
o rio denso de silêncios
o rio da noite...

Se me permite

Um poema plantado como uma oliveira

“Não há muito que ver nesta paisagem:
Alagadas campinas, ramos nus
De salgueiros e choupos eriçados:
Raízes descobertas que trocaram
O natural do chão pelo céu vazio.
Aqui damos as mãos e caminhamos,
A romper nevoeiros.
Jardim do paraíso, obra nossa,
Somos nele os primeiros.”
(*)

Se me permite poeta e escritor e homem
Desta terra levantado como uma oliveira
A tua sombra o nosso memorial
Da minha oferenda um cantar:

- Ó Alentejo, terra plana e seca
Sempre viverás no meu coração
Por mais que me doa e que peca
Em saudade, agonia e razão…

Que os coros dessas vozes te abracem
No eterno ou durante muito tempo…

[Poema de José Saramago]

Quinta-feira, 17 de Junho de 2010


Vou estar aqui, no próximo sábado. Apareçam...

às vezes o que acontece

às vezes o paraíso é uma mentira
doce e límpida mas com açucares
às vezes o diabo senta-se a nosso
lado no banco de jardim
sussurra-nos uma melodia de coro
e incómodo
na semana passada cruzei-me
com sete anjos e ia atropelando
um
às vezes isso acontece-me e pergunto
se aos outros o tempo
também acinzenta
por vezes o inferno é frio e só
molesta a dor e sodomiza-a
tornando-a submissa
são os dias da fome e do sono
às vezes isso acontece a uma parte
do mundo e são muitos
e eu feito parvo aqui a escrever
isto…