
velha senhora rugas de tempo
mãos de prata sorriso de mar
observava os eléctricos
observava-os
com o silêncio vespertino dos pardais
a água-furtada
a gotejar de chuva
a orquestra da cidade
metros abaixo
o chiar dos travões
os abanões das curvas
a avenida vinte e quatro de julho
a manhã lenta
o frio do rio velho rio
observava
e pensava
um dia desaparecerão
que farão aos carris
taparão com cimento
ou pedra da calçada
e farão uma feira muda
de memórias perdidas
observou mais um pouco
mais um pouco…
mãos de prata sorriso de mar
observava os eléctricos
observava-os
com o silêncio vespertino dos pardais
a água-furtada
a gotejar de chuva
a orquestra da cidade
metros abaixo
o chiar dos travões
os abanões das curvas
a avenida vinte e quatro de julho
a manhã lenta
o frio do rio velho rio
observava
e pensava
um dia desaparecerão
que farão aos carris
taparão com cimento
ou pedra da calçada
e farão uma feira muda
de memórias perdidas
observou mais um pouco
mais um pouco…
dez. 09




