entre as árvores os bancos de cimento
o lago as canas a água sai do cano como que de nascente
a sala de exposições as vidraças para o jardim
os velhos passam as crianças rodopiam até caírem
o anfiteatro frio o violoncelo sola
dois violinos e uma flauta
a velha senhora ucraniana despe o casaco castanho
a camisa calças sapatos
a roupa interior e conduz os pés à relva
os violinos assumem a melodia
a flauta é vento suave
o casal de jovens namorados tiram as roupas e dançam
duas senhoras abandonam as suas roupas no banco
caminham com vagar
a flauta sola e termina
o flautista levanta-se e sai entre as árvores
ficam as cordas para a música seguinte
lenta e sussurrante
as roupas são vestidas lentamente
a senhora ucraniana senta-se e fecha os olhos
no fim do concerto sairá como veio
silenciosamente
os patos nadam no charco
os músicos arrumam os instrumentos
cai a tarde desenrola-se o frio
as sombras dançam ainda tímidas
um livro na relva aberto
as palavras do poema escorregaram indolentes
até à água
diluíram-se até desaparecer
ficou a noite
a alguns pássaros nocturnos.
(Maio 10)
2 comentários:
Meu amigo, tem aqui um poema, que é um belo guião para um filme. Eu estava a ver as cenas todas...
Um beijo.
Obrigado.
Fiz este poema a partir de imagens e sempre com estranheza, estive para o "desmanchar"...
Bjs.
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