Um poema plantado como uma oliveira
“Não há muito que ver nesta paisagem:
Alagadas campinas, ramos nus
De salgueiros e choupos eriçados:
Raízes descobertas que trocaram
O natural do chão pelo céu vazio.
Aqui damos as mãos e caminhamos,
A romper nevoeiros.
Jardim do paraíso, obra nossa,
Somos nele os primeiros.”
(*)
Se me permite poeta e escritor e homem
Desta terra levantado como uma oliveira
A tua sombra o nosso memorial
Da minha oferenda um cantar:
- Ó Alentejo, terra plana e seca
Sempre viverás no meu coração
Por mais que me doa e que peca
Em saudade, agonia e razão…
Que os coros dessas vozes te abracem
No eterno ou durante muito tempo…
[Poema de José Saramago]
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